P assados alguns dias sobre o encerramento da 9.ª edição da Mostra da Laranja, em Silves, sinto-me motivado a partilhar algumas reflexões. Antes de mais, quero felicitar a organização pelo excelente trabalho na promoção daquilo que é, sem dúvida, um produto de excelência do Algarve: a nossa Laranja.
Passados alguns dias sobre o encerramento da 9.ª edição da Mostra da Laranja, em Silves, sinto-me motivado a partilhar algumas reflexões. Antes de mais, quero felicitar a organização pelo excelente trabalho na promoção daquilo que é, sem dúvida, um produto de excelência do Algarve: a nossa Laranja.
A laranjeira desempenha também um papel ecoló gico significativo
Por vezes esquecemo-nos de que a laranjeira não serve ape nas para produzir laranjas. Ficou bem patente que ela desempenha também um papel ecológico significativo, nomeada mente na captação de carbono. Ficámos a saber que grande parte da água consumida pela laranjeira é utilizada nesse processo, contribuindo para um ambiente mais sustentável. Além disso, discutiu-se a sua pegada hídrica e a capacidade que as manchas de regadio têm em favorecer a humidade atmosférica, ajudando inclusive no combate aos incêndios - um problema cada vez mais sério na nossa região.
Perante isto, pergunto: porque continuamos a assistir a tanta oposição ao regadio no Algarve? Porquê esta resistência quando temos exemplos concretos dos benefícios que as zonas agrícolas irrigadas trazem ao ambiente e à economia local?
É tempo de agir com visão estratégica
Outra questão que urge levantar: porque não se investe seria mente na construção de novas represas e barragens nos rios e ribeiras que, durante as poucas chuvas que temos, correm livremente para o mar? Poderíamos criar espelhos de água que manteriam a humidade no ar, favorecendo uma precipitação mais equilibrada ao longo do tempo, ao invés destes episódios de chuvas intensas e descontroladas a que temos assistido. É tempo de agir com visão estratégica e pensar a sério no futuro da agricultura algarvia e do nosso ambiente. Água e agricultura não são inimigos; são aliados inseparáveis numa região que precisa de soluções concretas e duradouras.
Fica o apelo, com esperança e convicção, de quem trabalha todos os dias com a terra e sabe bem o valor que ela tem.