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Efeitos do boro na anatomia vegetal e resultados de pesquisa

Efeitos do boro na anatomia vegetal e resultados de pesquisa

E duardo Cézar Medeiros Saldanha1, Fabiano Silvestrin2 1 Engenheiro Agrónomo, Doutor, Rio Tinto / U.S Borax, eduardo.saldanha@riotinto.com 2 Engenheiro Agrónomo, Mestre, Rio Tinto / U.S Borax, fabiano.silestrin@riotinto.com

Introdução

A necessidade de boro (B) como nutriente para plantas na produção vegetal, foi primeiramente demonstrada por Kathe rine Warington (1923), desde então, muitos estudos e investigações sobre o papel do B na nutrição de plantas foram realizados. Os solos agrícolas possuem uma grande importância na determinação da disponibilidade de B às plantas, assim, o conhecimento acerca dos atributos dos solos é o primeiro passo para avaliar as necessidades de B para as culturas. É importante considerar que as diferentes espécies vegetais, apresentam uma ampla gama de demandas por B e podem responder de maneiras diferentes a níveis baixos ou elevados de B no solo.

Boro na nutrição de plantas

O B é requerido para o crescimento e desenvolvimento de todas as plantas, a nutrição adequada com este nutriente, é crítica para garantir maior produção e qualidade dos cultivos. A deficiência de B resulta em alterações bioquímicas, anatómicas e fisiológicas nas plantas, desta forma, o estudo das funções do B na nutrição vegetal, tem sido objeto de estudos e investigações ao longo de muitos anos. Acredita-se, de acordo com as evidências científicas encontradas, que os efeitos fisiológicos mais importantes do B nas plantas, são

- Estrutura de paredes celulares – Envolvido, juntamente com o cálcio, na estrutura das paredes celulares. Grandes quantidades de B estão ligados às paredes celulares. Estudos indicam que 90% do B absorvido, está associado a parede celular. Numerosos efeitos fisiológicos e bioquímicos observados em plantas sob deficiência de B, tem sido interpretado como efeitos secundários aos danos causados nas paredes celulares, sendo os mais proeminentes sintomas, também a ela associados.

- Integridade das membranas celulares – O B está envolvido na manutenção da integridade e funcionalidade de membranas celulares. Esses efeitos celulares, comprovam-se, por meio das observações de campo. Tem sido comum a observação em áreas de cultivos com deficiência de B comprovada, a ocorrência frequente de insetos sugadores e patógenos, certamente, em razão da presença de compostos oriundos do extravasa mento celular em circulação livre nos tecidos das plantas.

- Divisão celular – O B é essencial em regiões de crescimento ativo – os tecidos meristemáticos – como as pontas das raízes, além de folhas e brotos em desenvolvimento. A deficiência de B verifica-se com frequência pela mudança na estrutura da planta nestas regiões de crescimento ativo. O B assegura tecidos de armazenamento saudáveis, além da garantir a ade quada formação de tecidos vasculares, possibilitando o fluxo de água, nutrientes e compostos orgânicos nas plantas.

- Transporte de açúcares – A fotossíntese transforma a energia da luz solar em compostos de energia vegetal, a exemplo dos açúcares. Para que estes processos continuem nas plantas, os açúcares devem ser transportados desde o local de produção (folhas) para os locais de utilização (drenos). O B aumenta a taxa de transporte de açúcares produzidos pela fotossíntese em folhas maduras, para regiões de crescimento ativo e frutos e grãos em desenvolvimento, sendo essencial para forneci mento de açúcares necessários ao crescimento de raízes em todas as plantas.

- Florescimento e produção vegetal – O B é necessário na formação e germinação do grão de pólen e na formação do tubo polínico, processos ligados a biologia do florescimento vegetal que asseguram a fecundação das flores. A procura por B é maior durante as fases reprodutivas, em comparação a fase de crescimento vegetativa, sendo a fase reprodutiva um momento crítico e sensível a deficiência do nutriente. O suprimento de B nesta fase aumenta a retenção de flores e o desenvolvimento de frutos e sementes.

Deficiência de B nos cultivos

Existe uma grande variação na forma como ocorre a manifestação dos sintomas de deficiência de B, inicialmente, os sintomas podem ser observados nos tecidos e órgãos jovens, a exemplo de ramos e folhas novas. Clorose em folhas novas e inibição do desenvolvimento de raízes secundárias e terciárias (laterais) são normalmente os sintomas iniciais. Com o avanço da deficiência, verificam-se sintomas visíveis em órgãos vegetativos e reprodutivos. As brotações da parte aérea ficam retorcidas e pode ocorrer a morte dos ramos principais, as folhas tendem a ficar grossas, murchas e enroladas. O caule e os pecíolos podem ficar rachados e espessos. Pesquisadores chineses, estudando sob condições controladas, em condições de solos com baixos teores de B, o efeito da omissão de B em plantas de algodoeiro, verificaram os seguintes resultados em variáveis fisiológicas.

Os resultados obtidos, mostraram que em plantas sob omissão (e consequente deficiência) de B, houve redução em todas as variáveis fisiológicas avaliadas. Os autores discutiram que os efeitos observados, podem ter forte relação com a redução de área foliar e radicular nesta espécie. Estes autores também estudaram os impactos da omissão de B na anatomia dos vasos dos pecíolos das plantas e constataram que na condição de omissão de B os vasos apresentaram deformações e má distribuição das células vasculares, resultando em deformações dos vasos condutores de seiva, que podem afetar o transporte de água, nutrientes e foto assimilados. Na figura 1, pode-se observar a presença de anéis marrons em pecíolos de plantas de algodoeiro.

Estudos têm demonstrado os impactos provocados pela omissão de B na anatomia dos feixes vasculares, formado por células especializadas na condução de seiva. Nas plantas deficientes os vasos do xilema não estão dispostos uniformemente, podendo afetar o transporte de água, nutrientes e foto assimilados. Nas plantas com sufi ciência de B, observou-se formação adequada das estruturas dos feixes vasculares.

Os estudos e resultados de pesquisa, mostram grande impor ância do nutriente B, para os cultivos agrícolas com efeitos agronómicos que impactam a qualidade e produtividade.

Recomenda-se que sejam realizadas avaliações periódicas da fertilidade do solo e do estado nutricional da cultura nas áreas de cultivo, de tal maneira que se possa melhor avaliar o potencial de resposta à adubação boratada. O uso dos fertilizantes de maior eficiência agronómica é fortemente recomendado.

 

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