N o início de abril, a cidade de Faro recebeu mais de 150 especialistas em coelho-bravo durante o European Rabbit International Workshop (ERIW25), organizado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a WWF e o projeto LIFE Iberconejo.
A espécie tem sofrido um enorme declínio em Portugal e em grande parte do sul da Península Ibérica, embora desempenhe um papel ecológico vital nas paisagens mediterrânicas e nas economias rurais. Durante o encontro, foi reforçada a necessidade de dar continuidade ao trabalho do projeto Life Iberconejo, realizando--se um balanço sobre os avanços alcançados pelo programa, como a implementação de um sistema automatizado de reco lha e análise de dados sobre as populações de coelho-bravo na Península Ibérica. Este desenvolvimento pioneiro, que envolve as administrações competentes de Portugal e Espanha, permitirá dispor de informação atualizada e em grande escala sobre o estado desta espécie-chave para a sobrevivência de espécies ameaçadas, como o lince-ibérico e a águia--imperial-ibérica. Ao longo da conferência, ficou evidente a necessidade de haver uma abordagem de gestão integrada para solucionar os vários desafios que a situação do coelho-bravo coloca: não só para promover a recuperação das suas populações, mas também para mitigar prejuízos em áreas agrícolas quando em superabundância. Os especialistas concordaram ser importante garantir as sinergias alcançadas no projeto Life Iberconejo entre entidades de Portugal e Espanha, assim como a conjugação das várias valências administrativas, académicas, e de gestão. Trata-se de manter um espaço de partilha de conhecimento e de diálogo para solucionar desafios colocados pela dinâmica populacional da espécie (escassez ou superabundância).
Destacou-se a importância de não se perder um impulso gerado pelo projeto, de manter uma monitorização robusta e a longo prazo da espécie, estabelecer estratégias eficazes de gestão e conservação.
Neste contexto importa garantir a manutenção das ferramentas e plataformas de sistemas de informação desenvolvidas, os processos de enriquecimento do saber, formação e sua aplicação no terreno. Mais de 1400 pessoas foram formadas em monitorização de coelho-bravo, incluindo funcionários públicos, caçadores e voluntários. No ICNF, formaram-se 220 Vigilantes da Natureza. O projeto criou uma estrutura de governação ibérica para melhorar a gestão do coelho-bravo, composta por administrações públicas, universidades e sociedade civil, incluindo ONG de conservação, caçadores e agricultores.
Sobre o Life Iberconejo: O projeto Life Iberconejo teve por objetivo conhecer e melhorar o estado de conservação das populações de coelho-bravo em Portugal e Espanha. Em simultâneo procurou-se prevenir os danos que podem causar à atividade agrícola. Desenvolvido na Península Ibérica até junho de 2025, e cofinanciado pelo programa LIFE da União Europeia, incluiu representantes de todos os agentes sociais envolvidos na sua gestão – administrações, cientistas, associações conservacionistas, agricultores e caçadores – refletindo o compromisso dos diferentes atores com um objetivo comum.