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Objetivos do melhoramento genético vegetal para o setor pratense e forrageiro em regiões sob influência do clima mediterrânico no contexto de alterações climáticas

Objetivos do melhoramento genético vegetal  para o setor pratense e forrageiro em regiões  sob influência do clima mediterrânico no contexto de alterações climáticas

O melhoramento vegetal é uma área vital para preparar os diferentes sistemas alimentares para o futuro, porque contribui, de forma relevante, para que consigam enfrentar os muitos e crescentes desafios originados pelas alterações climáticas, pelo crescimento demográfico e pela degradação ambiental.

Através do uso de variedade melhoradas consegue-se contribuir para o aumento da produtividade agrícola sem provocar impactos negativos nos ecossistemas, já que os genótipos superiores, resultantes dos programas de melhoramento, utilizam de forma mais eficiente os recursos naturais e são menos exigentes em fatores de produção, porque são selecionadas de forma a serem mais adaptadas às condições agro-sócio-económicas dos diferentes sistemas de produção.

Os programas de melhoramento de plantas são dinâmicos, longos e dispendiosos. O melhora mento convencional, como o desenvolvido no INIAV-Polo de Inovação de Elvas, necessita de cerca de 10-12 anos para a obtenção de uma nova variedade, dependendo, em particular, do tipo de espécie vegetal. Considerando que, existem várias restrições ao uso de vários agroquímicos e apoio à implementação de sistemas agrários com nula ou pouca utilização destes, o melhoramento de plantas/a utilização de variedades vegetais ganha ainda maior relevância.

As pastagens e forragens desempenham um papel significativo na alimentação de herbívoros e em particular dos ruminantes, contribuindo assim para a segurança alimentar de muitas regiões do mundo ao mesmo tempo que fornecem serviços ecossistémicos (controlo da erosão do solo, manutenção da biodiversidade, retenção de água, etc.). A produtividade, qualidade e persistência das pastagens per manentes de sequeiro típicas das regiões com clima mediterrânico depende, entre outros fatores, da temperatura, da quantidade e momento da precipitação, da fertilização e da gestão do pastoreio.

Atualmente, as alterações climáticas (temperaturas médias mais elevadas, maior variabilidade climática com fenómenos extremos, alteração dos padrões de precipitação, seca e stress térmico, mais vento, etc.) constituem um dos maiores desafios que os melhoradores de plantas enfrentam.

Segundo o IPCC (2021), são vários os modelos de alterações climáticas que preveem um aumento de temperatura de 2-3°C até ao final do século XXI nas regiões sob influência do clima mediterrânico assim como períodos mais longos de seca combinados com fenómenos de chuva mais intensos. O aumento de temperatura em ecossistemas com limitação de água, como é frequente nas regiões do Mediterrâneo, têm em geral um efeito negativo, como por exemplo, alteração da atividade microbiana, a maior velocidade da decomposição da matéria orgânica e a diminuição do teor de fósforo da pastagem devido a um efeito de diluição causado por um crescimento mais acelerado das plantas (Martinez et al. 2014). Segundo Idalgo-Galvez et al. (2023), o aumento da temperatura contribui também para a redução da qualidade das pastagens, o que poderá ter repercussões negativas na alimentação do gado e, consequentemente, na qualidade dos seus produtos derivados. Na região de clima mediterrânico da Europa, a redução da precipitação aumenta os riscos associados ao sobrepasto reio, ao não permitir às plantas recuperar e produzir sementes, o que causa declínios importantes na biodiversidade das pastagens. O melhoramento vegetal pode ser fundamental para produzir novas variedades que tornem as pastagens mais adaptadas às alterações do padrão sazonal e ao aumento da variabilidade da temperatura, da precipitação e da alteração dos períodos de crescimento, determinados pelas alterações climáticas.

Assim, na definição dos critérios de seleção das espécies praenses e forrageiras para as regiões do Mediterrâneo, convém ter-se em conta estas alterações em curso. Sendo assim, considera-se prioritário, identificar quais as espécies mais indicadas para cada agroecossistema, e dentro destas selecionar genótipos, que reúnam as seguintes caraterísticas (i) vigor invernal alto/rápida instalação; (ii) ciclo mais curto/floração mais precoce, (iii) elevada eficiência de uso da água e nutrientes do solo, (iv) tolerância ao encharcamento, (v) elevada produção de biomassa e de sementes; (vi) elevada percentagem de sementes duras ou capacidade de enterrar sementes , (vii) no caso das espécies perenes, possuírem capacidade de acumular reservas e apresentarem alguma dormência para fazer face a um período estival cada vez mais prolongados e (viii) elevada tolerância ao pastoreio1. A obtenção de corretos valores nutricionais (teor de proteína, digestibilidade da matéria seca, componentes da fibra) devem ser sempre controlados.

O INIAV-Polo de Inovação de Elvas (Estação de Melhoramento de Plantas), no cumprimento da sua missão e reconhecendo que, em geral, é necessária uma maior diversidade intra e interespecífica para melhorarmos a capacidade de adaptação e mitigação dos sistemas pratenses e forrageiros típicos do mediterrâneo, preserva e melhora/diversifica as suas coleções de trabalho e desenvolve programas de melhoramento genético, com o objetivo de obter novas e melhores variedades de diferentes leguminosas e gramíneas pratenses e/ou forrageiras.

Provas dadas do sucesso do trabalho efetuado são as 40 variedades de espécies com aptidão pratense/ forrageira inscritas no Catálogo Nacional de Varie dades/2025 (12 trevos-anuais; 1 biserrula; 3 luzer nas-anuais; 2 serradelas; 2 chícharos; 7 ervilhacas; 2 tremoceiros; 2 tremocilhas; 1 festuca; 1 panasco; 4 aveias-forrageiras; 3 triticales-forrageiros).

 

 

 

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